Boas Práticas

Boas Práticas

O ENMU analisou, em quatro eixos temáticos transversais, boas práticas que contribuem para viabilizar investimentos e melhorar a mobilidade urbana. O estudo propôs, para cada eixo, modelos adaptáveis a diferentes contextos metropolitanos e as respectivas medidas de implementação.

Financiamento e Garantias Públicas

O financiamento da mobilidade metropolitana envolve duas questões centrais: quem paga pelo transporte coletivo e como esses pagamentos são estruturados

A maioria das regiões metropolitanas depende da combinação de tarifa do usuário com subsídios orçamentários. A sustentabilidade financeira exige diversificar receitas, organizar fluxos em fundos dedicados e estruturar garantias sólidas para atrair investimentos de longo prazo

payments

Quem paga?

Tarifa, subsídios, receitas extratarifárias e contribuições de beneficiários indiretos

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Como se estrutura?

Fundos metropolitanos, câmaras de compensação e financiamentos de longo prazo via bancos de fomento

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Como se dá previsibilidade?

Fundos garantidores com ativos próprios e recomposição automática para PPPs e concessões

Participação nos orçamentos públicos

Os gráficos mostram a proporção dos gastos públicos com mobilidade nas 21 RMs, evidenciando que o setor de transporte tem ganhado maior relevância nos orçamentos de estados e municípios. A tendência é compatível com a diversificação das fontes de financiamento, com aumento dos subsídios públicos em comparação com a arrecadação tarifária.

Gráfico de gastos públicos com mobilidade nos estados Gráfico de gastos públicos com mobilidade nos múnicipios-sede

Nota: O percentual representa o gasto com mobilidade em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). Para apurar o gasto com mobilidade, foi considerada a soma das despesas pagas na subfunção "transporte coletivo urbano" e na função “transporte”.

Pilares de Financiamento

Tarifa + Subsídios bem desenhados

01

Combinação de tarifa com subsídios orçamentários de estados e municípios, como na RM São Paulo (mais de R$ 8 bi/ano em subsídios combinados em 2023)

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Diversificação de Receitas

02

Exploração comercial e imobiliária de ativos da mobilidade, combinada com tributos, pedágios urbanos e taxas de estacionamento. São exemplos de fontes para reduzir a dependência da tarifa

payments

Fundos Dedicados

03

Fundo Nacional de Mobilidade Urbana e Fundos Metropolitanos de Mobilidade Urbana para dar previsibilidade e organizar aportes ao setor

communities

Financiamento de Longo Prazo

04

Empréstimos via bancos de fomento (BNDES, BID, Banco Mundial, CAF) combinados com contrapartidas e participação privada, como em Santiago, Lima e Cidade do México

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Fundos e Garantias Sólidas

05

Fundos garantidores, contas-escrow e câmaras de compensação, com possibilidade de garantia contingente da União em PPPs sem consumir espaço fiscal local, conforme a Portaria STN/MF nº 2.369/2025

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Exemplos de Implementação

Nacional

RM São Paulo

ícone Brasil

Subsídios e Receitas Extratarifárias

  • Mais de R$ 8 bi/ano em subsídios em 2023 (capital + Estado) Receitas de publicidade, aluguel e exploração de estações, incluindo shoppings integrados Referência em escala de financiamento público no Brasil

Nacional

RM Salvador

ícone Brasil

Garantias Sólidas para PPPs

  • Fundo Garantidor Baiano (FGBP) com ativos próprios
  • Fundo dedicado a Ponte Salvador-Itaparica (FGAP)
  • Vinculação de repasses do FPE como elemento adicional de garantias
  • Viabilizou PPP do metrô em contexto fiscal desafiador

Internacional

Vancouver

ícone Canada

Londres

ícone Reino Unido

Diversificação de Receitas

  • Impostos sobre propriedade e combustíveis
  • Pedágios urbanos e taxas de estacionamento
  • Contribuições de beneficiários indiretosdo TPC

Internacional

Bogotá

ícone Canada

Cd.México

ícone Reino Unido

Estruturas Fiduciárias

  • Arrecadação centralizada em contas-Escrow
  • Separação tarifa do usuário × remuneração operadores
  • Regras pactuadas de rateio e transparência

Modelo Ideal

Legenda:

Instrumento

Fontes de recursos

Instituições

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Fluxo de recursos

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Fluxo de informações e/ou aprovações

Fluxograma de financiamento e garantias

Detalhamento do modelo

Nível Federal Fontes de recursos nacionais Recursos federais que podem complementar tarifas, orçamentos locais e financiamentos. Exemplos do E2: CIDE-Combustíveis e reformulação do Vale-Transporte, como contribuição patronal permanente inspirada no Versement Mobilité.
Fundo Nacional de Mobilidade Proposta do ENMU para concentrar receitas alternativas, taxas, royalties e repasses federais, criando uma base nacional de financiamento para projetos estruturantes de mobilidade urbana.
Governança da União Define regras para aporte federal em PPPs subnacionais. A Portaria Conjunta MGI/MF/CGU nº 103/2025 trata de elegibilidade, termo de compromisso, conta escrow, verificação técnica, transparência e prestação de contas.
Garantia contingente Garantia acionada apenas se necessário para cobrir aportes ou contraprestações em PPPs. A Portaria STN/MF nº 2.369/2025 prevê espaço fiscal adicional de 1% da RCL para esse tipo de operação, sem consumir o espaço fiscal ordinário do ente.
Nível Metropolitano Créditos aos entes públicos Financiamentos contratados por estados, municípios, DF ou consórcios junto a bancos de desenvolvimento, organismos multilaterais e instituições financeiras, para investimentos, contrapartidas, aportes ou garantias.
Fontes locais de recursos Receitas geradas no território e vinculadas à mobilidade. Exemplos: CCSV, cobrança via IPVA/IPTU, estacionamento rotativo, multas, taxas sobre aplicativos, polos geradores, contribuição de melhoria, créditos de carbono e compensações ambientais.
Fundo metropolitano Fundo interfederativo para mobilidade, com patrimônio segregado, receitas vinculadas e governança própria. Reúne recursos do Estado, municípios, fundos existentes, outorgas e receitas extratarifárias.
Clearing metropolitana Câmara de Compensação Tarifária metropolitana que centraliza arrecadação, calcula rateios e redistribui receitas entre operadores, modos e entes públicos, com dados auditáveis.
Governança metropolitana Modelo do ENMU baseado em Autoridade Metropolitana de Transporte, via consórcio público, autarquia territorial ou empresa interfederativa, para coordenar planejamento, contratação, financiamento, bilhetagem, dados e integração operacional.
Agência reguladora Entidade técnica independente, preferencialmente autarquia especial, com mandato fixo, orçamento próprio e ouvidoria, responsável por regular contratos, fiscalizar metas, acompanhar qualidade e apoiar a transparência.
Fundo garantidor metropolitano Fundo dedicado a garantir obrigações públicas em projetos de mobilidade, como contraprestações e aportes em PPPs, com patrimônio segregado, recomposição automática e receitas dedicadas.
Linhas de crédito contingentes Crédito pré-aprovado, acionado apenas diante de evento definido, como falta temporária de caixa, recomposição de garantias ou cobertura de obrigações públicas em PPPs.
Nível Projeto Contas vinculadas Contas específicas do projeto ou contrato, usadas para segregar e rastrear aportes, outorgas, receitas acessórias e pagamentos públicos, aumentando transparência e segurança financeira.

Bilhetagem e Integração Tarifária

A integração tarifária permite que o usuário realize uma viagem completa com diferentes linhas e meios de transporte pagando uma única tarifa ou com desconto nas conexões.

Em vez de pagar uma nova passagem a cada embarque, o passageiro utiliza um cartão ou aplicativo integrado e se desloca com mais previsibilidade e economia.

Essa lógica é essencial para o funcionamento do transporte público como uma rede única, especialmente em regiões metropolitanas, e também facilita a implantação de redes tronco-alimentadas, nas quais linhas alimentadoras conectam os bairros a eixos de alta capacidade.

Imagem de onibus urbano
network_node

Conectar linhas e modos

Ônibus, metrô, trem, BRT, VLT, etc em períodos e áreas definidos

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Pagar uma vez

Uma tarifa (ou valor com desconto) para a viagem completa

credit_card

Um meio de pagamento para toda a rede

Cartão, app ou QR Code integrados

Principais Benefícios

Metrô de São Paulo
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Uma só passagem para toda a viagem

O usuário paga uma vez e pode trocar de linha ou modo dentro do período definido, sem pagar outra tarifa cheia

language

Rede percebida como sistema único

O passageiro deixa de enxergar “vários sistemas” separados e passa a ver um só sistema metropolitano integrado

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Menor gasto mensal para o usuário

A integração reduz o custo de quem faz duas, três ou mais baldeações por dia, aliviando o orçamento das famílias

commit

Mais praticidade nas baldeações

Fica mais fácil planejar o percurso, sabendo que as conexões fazem parte de uma mesma viagem e não geram cobranças extras

Exemplos de Implementação

Mapa do Brasil

Recife

Cartão único em múltiplos modos

O Cartão VEM permite usar ônibus urbanos, metropolitanos, metrô e VLT em um mesmo sistema tarifário. A integração temporal em toda a RMR reduz o custo das viagens complexas e facilita o uso combinado de diferentes modos

Goiânia

Tarifa única e bilhetagem metropolitana

Toda a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) opera com tarifa única e cartão integrado, válido em todos os municípios atendidos. O usuário pode fazer várias integrações dentro de uma janela de tempo, com compensação financeira entre operadores feita de forma centralizada

Vitória

Integração plena no sistema Transcol

No sistema Transcol, uma tarifa dá acesso a linhas troncais e alimentadoras em vários municípios, com terminais de integração e bilhetagem eletrônica unificada. O usuário viaja pela região metropolitana como se estivesse em uma única cidade

Importância do Acesso a Dados de Bilhetagem pelo Poder Público

01

contract

Controle Público

A boa prática recomenda que o serviço de bilhetagem seja objeto de licitação separada e específica, garantindo ao poder concedente a propriedade dos dados e independência em relação aos operadores. Mesmo na hipótese de gestão privada da bilhetagem, deve-se garantir o controle público sobre a receita e os dados

02

analytics

Diagnóstico e Planejamento

Com os dados de bilhetagem, os entes podem realizar diagnósticos precisos sobre a demanda, identificar padrões de deslocamento e obter subsídios técnicos para o redesenho da rede de transporte público

03

language

Supervisão dos Operadores

O acesso aos dados de bilhetagem pelo poder público permite supervisionar o desempenho dos operadores: verificar quilometragem percorrida, cumprimento de horários, lotação e índices de regularidade

Sistema de Clearing Tarifário

O sistema de clearing tarifário é um componente central da mobilidade urbana, pois garante o registro, a validação, a consolidação e a distribuição transparente das receitas tarifárias. Com isso, viabiliza a integração entre diferentes meios de transporte e operadores, assegura previsibilidade financeira e fortalece a capacidade de fiscalização e regulação pelo poder público.

Gráfico Boas práticas Clearing Tarifário

Modelo Ideal

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A

Bilhetagem ABT

Conta do usuário como referência

Bilhetagem eletrônica baseada em conta (ABT), interoperável e multimeios: cartões NFC, EMV por aproximação, QR, carteiras digitais e Pix via app

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B

Integração Plena

Bilhete único + teto tarifário

Suporte nativo a bilhete único e conjugação entre modos e entre entes, com políticas simples e previsíveis para o usuário

policy
C

Backoffice Único

Câmara de compensação pública

Regras padronizadas, motor de cálculo central (clearing), auditoria independente, governança de dados com LGPD e APIs abertas

analytics
D

Sistema Aberto

Interoperabilidade ampla

Padrões abertos que reduzem custos, evitam dependência de fornecedor único e facilitam novos modelos de financiamento

Operação: Integração e Regularização

A operação integrada exige reorganizar linhas em uma arquitetura tronco-alimentada, modernizar contratos com metas de desempenho e usar tecnologias inteligentes para ajustar a oferta em tempo real. Quando articulada em escala metropolitana, a integração reduz sobreposições e promove um salto de qualidade na experiência do usuário.

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Rede Tronco-Alimentada

Corredores estruturantes com estações e linhas alimentadoras organizadas, eliminando sobreposições e racionalizando a oferta

seta para direita
contract

Contratos modernos

Concessões com KPIs e SLAs de desempenho, remuneração baseada principalmente na disponibilidade e na qualidade do serviço prestado e cláusulas de reestruturação e integração

seta para direita
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Tecnologia e Coordenação

Monitoramento em tempo real, controle de frequências, priorização na via e informação ao usuário em escala metropolitana

Quando esses três elementos são articulados por uma governança metropolitana estruturada, o transporte público passa a operar como uma rede única — não como um conjunto de sistemas municipais e intermunicipal desconectados.

Pilares da Integração

Arquitetura tronco-alimentada

01

Corredores exclusivos, estações- tubo e linhas troncais/alimentadoras bem definidas, com alto grau de racionalização

Referência: RM Curitiba

hub

Integração física qualificada

02

Terminais intermodais com boas condições de transferência, sinalização clara e acessibilidade, reduzindo a impedância da integração

Referência: Santiago

commit

Tecnologias inteligentes

03

Centros de controle em tempo real, ajuste dinâmico de oferta e priorização na via, traduzindo integração física em sincronização efetiva

Referência: Singapura

memory

Contratos flexíveis

04

Remuneração por quilometragem e qualidade, com espaço para e desenho de linhas e obrigações de integração operacional

Referência: nova licitação do Sistema RIO

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Gorvenança de Dados

05

Entidade metropolitana que coordena planejamento, operação e bilhetagem como uma única rede, não como sistemas desconectados

Referência: RM Goiânia (CMTC/RMTC)

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Exemplos de Implementação

Nacional

RM Curitiba

ícone Brasil

Rede tronco alimentada

  • Corredores exclusivos e estações-tubo
  • Linhas troncais e alimentadoras bem definidas
  • Rede hierarquizada com alto grau de racionalização

Internacional

Santiago

ícone Chile

Integração física qualificada

  • Terminais intermodais projetados para transbordo
  • Conexão ônibus troncais/alimentadores ao metrô
  • Redução da impedância da integração

Internacional

Singapura

ícone Singapura

Tecnologias inteligentes

  • Centros de controle operacional em tempo real
  • Ajuste dinâmico da oferta
  • Coordenação de corredores e terminais

Internacional

Londres

ícone Grã-Bretanha

Contratos modernos

  • Remuneração por quilometragem e qualidade
  • Espaço para redesenho de linhas
  • Obrigações de integração operacional

Impactos da Integração

Eliminação de sobreposições

Linhas paralelas às troncais (metrô, BRT, VLT) se transformam em alimentadoras, racionalizando a oferta e reduzindo custos operacionais desnecessários

Melhor experiência do usuário

Terminais qualificados com acessibilidade, tempos de conexão reduzidos e informação em tempo real tornam as baldeações parte natural da viagem

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contract
sentiment_satisfied
schedule

Maior previsibilidade contratual

Concessões com KPIs e SLAs substituem permissões precárias, com fiscalização técnica e mecanismos de reequilíbrio econômico- financeiro transparentes

Planejamento em rede única

Coordenação metropolitana de itinerários, horários e frota permite ajustes integrados, evitando decisões fragmentadas que prejudicam o sistema

Modelo Ideal

contract
A

Regularização Contratual

Substituir permissões/autorizações por concessões/PPPs com:

  • Direito de reprogramação operacional (ajuste de linhas, corte de paralelismos)
  • KPIs e SLAs de desempenho (regularidade, velocidade, lotação)
  • Fiscalização e auditoria de cumprimento operacional
  • Reequilíbrio econômico financeiro quando reestruturações afetarem contratos vigentes
layers
B

Eliminação de Sobreposições

Transformar linhas paralelas às troncais em alimentadoras:

  • Priorizar corredores com maior carga simulada nas Redes Necessárias
  • Publicar plano de corte/ajuste por trecho
  • Definir cronograma de transição com headways e frota-alvo
webhook
C

Integração Física Obrigatória

Prever como obrigação contratual:

  • Tempos-alvo de conexão e acessibilidade universal
  • Interfaces ônibus–BRT–VLT– trem/metrô nos nós principais
  • Padrões de operação (plataformas, sinalização, info em tempo real)
  • Planejamento conjunto de itinerários, horários e veículos

Governança e Planejamento Interfederativo

Estado e municípios se organizam para tomar decisões conjuntas sobre temas que ultrapassam limites locais, inclusive o transporte público. Quando bem estruturada, reduz a fragmentação, melhora a eficiência do sistema e garante que decisões sobre rede, tarifas e investimentos sejam feitas em escala metropolitana, e não de forma isolada.

Gráfico Boas Práticas

Governança: Eixo Transversal da Mobilidade

A governança é a base estrutural que permeia e viabiliza todos os outros pilares da mobilidade metropolitana

Eixo Transversal

Conceito de FPIC

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Funções Públicas de Interesse Comum (FPIC) são aquelas cuja realização por parte de um município, isoladamente, é inviável ou causa impacto em municípios limítrofes. A mobilidade urbana é uma das principais FPICs, exigindo planejamento e gestão integrados para garantir eficiência e qualidade.

Legislação Aplicável

O arcabouço jurídico brasileiro estabelece as bases para a cooperação interfederativa:

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Constituição Federal (Art.25)

Instituição de Regiões Metropolitanas pelos Estados

Estatuto da Metrópole (Lei 13.089/15)

Normas gerais para planejamento e gestão de FPICs

Lei de Consórcios Públicos (Lei 11.107/05)

Instrumento para cooperação voluntária entre entes

Pilares da Governança

Autoridade metropolitana clara

01

Consórcio público ou entidade setorial que reúne Estado e municípios para decidir sobre rede, tarifas e subsídios em escala metropolitana

Referência: RM Recife (CTM)

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Regulação técnica independente

02

Agência reguladora com mandato claro que conduz revisões tarifárias e arbitragem com base em critérios técnicos, separada da gestão do sistema

Referência: RM Goiânia (AGR)

policy

Conselho + órgão técnico

03

Conselho deliberativo ativo com participação do Estado, municípios e sociedade civil, apoiado por órgão técnico permanente

Referência: RM Grande Vitória (COMDEVIT + IJSN)

groups

Câmara de compensação

04

Tarifa diferenciada da remuneração ao operador, com redistribuição transparente via câmara de compensação e complemento tarifário partilhado

Referência: RM Goiânia (CMTC)

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Governança de dados + participação Uso de dado

05

Uso de dados de bilhetagem e desempenho para planejar e ajustar a rede, com processos de consulta pública e transparência

Referência: Lisboa (TML)

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Modelo Ideal

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A

Autoridade Interfederativa

Governança metropolitana estruturada em gestão consorciada ou empresa estatal, responsável por:

  • Planejamento integrado da rede Contratação e coordenação operacional
  • Gestão unificada da bilhetagem
  • Implementação da clearing tarifária
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B

Agência Reguladora Independente

Autarquia especial com mandato fixo, orçamento próprio e ouvidoria pública, encarregada da:

  • Regulação econômica e técnica do sistema metropolitano
  • Revisões tarifárias baseadas em critérios técnicos
  • Arbitragem de reequilíbrios econômico-financeiros
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C

Transparência e Participação

Governança aberta e participativa:

Portal único com dados abertos e prestação de contas

  • Auditoria independente e governança de dados (LGPD)
  • APIs abertas para integração com apps e ITS
  • Consultas públicas com devolutiva e Conselho de Usuários

Exemplos de Implementação

Mapa do Brasil

Recife

Consórcio Interfederativo
  • CTM reúne Estado e municípios como autoridade metropolitana
  • Gere a rede integrada e bilhetagem única
  • Coordena câmara de compensação tarifária

Goiânia

Regulação independente
  • AGR conduz revisões tarifárias com critérios técnicos
  • Separação entre gestão (CDTC/CMTC) e regulação (AGR)
  • Complemento tarifário partilhado Estado/municípios

Grande Vitória

Conselho + Suporte Técnico
  • COMDEVIT como conselho deliberativo participativo
  • IJSN fornece suporte técnico com estudos e indicadores
  • PDUI como referência para priorização de projetos